Olhando para o passado
onde o que não deveria, passou
vejo que estava tudo errado
o que não poderia, se calou.
Os anos passaram,
a angústia se fez presente
lágrimas rolaram
com dor intermitente.
O coração, calado, sofreu
e tentou se enganar
A tristeza atingiu o apogeu
era preciso voltar a amar
(um amor que nunca morreu)
A coragem resolveu aparecer,
e a alma decidiu acordar
era necessário resolver,
era importante voltar a sonhar.
Depois da indecisão inesperada
numa tarde sem fim,
uma noite de hora parada
o amor voltou para mim,
quando a esperança era acabada.
A plenitude invadiu cada canto
da minha casa então vazia
tua presença secou o pranto
pois a felicidade trazia.
De nada me adiantou calar.
Não adiantou tentar fugir de ti,
estás de volta ao teu lugar,
pois amar-te não desaprendi.
(nem tu desaprendeste a me amar)
Pingos de alegria caem em poças de felicidade
pedaços de simplicidade que se encaixam perfeitamente
neste complexo quebra-cabeças sem fim
tudo se ilumina ao se aproximar dela
a razão pela qual ela vive enfim
Palavras não são necessárias
o brilho que seus olhos emanam
o calor e a paixão que de seu corpo escapam
não deixam dúvidas no ar... Espera toques e sinais
das mãos que farão de suas formas lar.
O amor chegou por fim, em cálido brilho furta-cor
e pairou sobre as brumas frias e cinzentas
da tristeza, outrora governanta
que agora nada mais é do que uma vaga lembrança
apenas antídoto para a dor
No sorriso dela pode-se ver tudo
a alma dela, a criança dentro dela,
que agora canta e sorri
suas vidas, seus amores, seus pudores
Translúcida, mas firme ela se tornou
Escondendo o olhar entre os dedos
ao corar perante elogios
escondendo o enrubescido rosto
debaixo negras porém não longas madeixas
Ela sorri e pensa
em quantas coisas deixou para trás
em quão abnegada e resignada ela sempre fora
em quão reluzente parece agora, e e em quão feliz pode ainda ser
já que em cálido e flamejante brilho
o amor simplesmente aninhou-se onde sempre deverá permanecer.